Veja vento viaja horas
atento vai reverberando na mente
velas vozes vias
voltas rodovias
por onde vi
por onde andei
vale veracidades
virtuosas volúpias
das veias grossas
atravessada
Bate bem a porta
dorme dorme a hora
continua caminhando
deixa de dizer
dá a mão a torcer
caleja fronte doses
vela vai
vertendo contas
parte por onde
andas há desmontes
onde o arrepio se esconde
Cai bem ai,
deixo espaço aberto
pra você também sentir
Volta volátil voz.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Amadurecendo
Sai o dia, chega a noite por onde mora o assobio,
foi que eu vi aquele alento,
como quando bate as horas, desatento,
separa em códigos
e miragens os momentos.
Eu ouvi de longe a cotovia
chamando soturna
perto do meu abrigo
onde declamo minha voz muda
encontro imagens em desvios
sou perpassada por ares sem muros.
Hoje eu vi de repente
olhar os olhos de profundo
ter de dizer o motivo
do motivo que me fez ver mundos
dor maior é a dor doida
de quem se fez em pele garrida
e ficou em redoma sentida
que quando chocou
o mundo mudou
e então teve de se fazer em sustos.
Dessa cicatriz sei que não me curo,
ficará ali
bem no pilar do muro
dizendo não esqueça nunca
Certa de que ainda haverá enganos
desenganos por se mirar
por não conhecer
se conhecerá dores e sentidos
que a vida trará
olhar bem defronte
sem medos nem desvelos
desafio maior não há.
Quero então nesse pedaço de tempo
em que a noite madruga
e o dia ainda não se gesta
que traz no entremeio a antiga palavra
amadurece
amadurecendo.
foi que eu vi aquele alento,
como quando bate as horas, desatento,
separa em códigos
e miragens os momentos.
Eu ouvi de longe a cotovia
chamando soturna
perto do meu abrigo
onde declamo minha voz muda
encontro imagens em desvios
sou perpassada por ares sem muros.
Hoje eu vi de repente
olhar os olhos de profundo
ter de dizer o motivo
do motivo que me fez ver mundos
dor maior é a dor doida
de quem se fez em pele garrida
e ficou em redoma sentida
que quando chocou
o mundo mudou
e então teve de se fazer em sustos.
Dessa cicatriz sei que não me curo,
ficará ali
bem no pilar do muro
dizendo não esqueça nunca
Certa de que ainda haverá enganos
desenganos por se mirar
por não conhecer
se conhecerá dores e sentidos
que a vida trará
olhar bem defronte
sem medos nem desvelos
desafio maior não há.
Quero então nesse pedaço de tempo
em que a noite madruga
e o dia ainda não se gesta
que traz no entremeio a antiga palavra
amadurece
amadurecendo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Coisas do Discurso
Cá estava eu, novamente em pleno aeroporto, sentada olhando emails, quando resolvo parar por um instante e jogar palavras cruzadas, meu passatempo antigo que voltei a ter.
Pois então, escuto uma mulher gritar.
Estava ela de vestido vermelho vivo, tecido semelhante ao linho e havaianas brancas no pés, cabelo curto, loira.
Alto berrava palavrões sobre o aeroporto, daí falava em Deus, fim do mundo, um monte de informação ao mesmo tempo.
Tal foi meu espanto, que me levantei para prestar atenção ao que ela dizia e ao seu happening/performance acidental.
Não deu muito tempo, as guardas que ficam fiscalizando banheiros, saídas, hall de alimentação a levaram. A mulher continuou gritando.
Lembrei-me mais uma vez de nosso querido Foucault e foucalteei e minha mente todo o discurso de saber e poder incutidos no fato.
Um surto psicótico de alguém que aparentemente estava bem,quem sabe... lembrei que a mesma mulher passou por mim na entrada, sentou próximo na cafeteria e tomou tranquilamente seu café.
Será mesmo que não foi alguma ação/intervenção artística?
Nós acostumados a estes tempos hipermodernos, que havemos de pensar quando nos deparamos com tal ação?
Qual o objetivo da mulher de vermelho?
Dama de vermelho em sua visualidade me fazendo refletir sobre os discursos que envolvem sua imagem montada e agora transfigurada em associações sobre as outras imagens de mulheres em vermelho do cinema, da tevê, da propaganda, da arte...o que compõe esta noção travestida de desejo/sexo/aparência/atenção que a imagem traduz em seus contextos?
O que a fez tomar atitude de berrar sobre o fim do mundo, o arrependimento, será uma mensageira?
Só Deus sabe, eu fico por aqui me indagando se talvez não foi uma "visagi" como diria meu avô caso tivesse visto tal coisa.
Coisas do discurso à parte, volto às palavrinhas cruzadas... principal verbo de ligação = SER.
Sou então palavras a serem decifradas,
entrelinhas e vozes na multidão.
Pois então, escuto uma mulher gritar.
Estava ela de vestido vermelho vivo, tecido semelhante ao linho e havaianas brancas no pés, cabelo curto, loira.
Alto berrava palavrões sobre o aeroporto, daí falava em Deus, fim do mundo, um monte de informação ao mesmo tempo.
Tal foi meu espanto, que me levantei para prestar atenção ao que ela dizia e ao seu happening/performance acidental.
Não deu muito tempo, as guardas que ficam fiscalizando banheiros, saídas, hall de alimentação a levaram. A mulher continuou gritando.
Lembrei-me mais uma vez de nosso querido Foucault e foucalteei e minha mente todo o discurso de saber e poder incutidos no fato.
Um surto psicótico de alguém que aparentemente estava bem,quem sabe... lembrei que a mesma mulher passou por mim na entrada, sentou próximo na cafeteria e tomou tranquilamente seu café.
Será mesmo que não foi alguma ação/intervenção artística?
Nós acostumados a estes tempos hipermodernos, que havemos de pensar quando nos deparamos com tal ação?
Qual o objetivo da mulher de vermelho?
Dama de vermelho em sua visualidade me fazendo refletir sobre os discursos que envolvem sua imagem montada e agora transfigurada em associações sobre as outras imagens de mulheres em vermelho do cinema, da tevê, da propaganda, da arte...o que compõe esta noção travestida de desejo/sexo/aparência/atenção que a imagem traduz em seus contextos?
O que a fez tomar atitude de berrar sobre o fim do mundo, o arrependimento, será uma mensageira?
Só Deus sabe, eu fico por aqui me indagando se talvez não foi uma "visagi" como diria meu avô caso tivesse visto tal coisa.
Coisas do discurso à parte, volto às palavrinhas cruzadas... principal verbo de ligação = SER.
Sou então palavras a serem decifradas,
entrelinhas e vozes na multidão.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Reflexões sobre hoje...
Os momentos, percebemos eles só depois que passaram. Falo do perceber, sentir, refletir. Quando se dá uma aula com furor, com amor latente no coração, depois se pensa como foi que as ideias se concatenaram na mente, de que forma se deu o discurso. Meu discurso não é o do poder, nem o da memória, muito menos o da glória. Discurso como quem dá um grito, expressa seu idealismo, suas concepções políticas sobre o ensino de arte. Jamais conseguiria dar uma aula, sem expressar o que penso sobre o que leio e me refiro aí ao que leio também visualmente. As pessoas e suas obras podem dizer muito, olhares e espelhos. Somos excelentes educadores quando nos tornamos espelhos para o outro se ver melhor. Somos péssimos quando mostramos um espelho quebrado, desgastado, mal cuidado. Este espelho se traduz naquele professor que não se atualiza, não lê, não troca, principalmente não dialoga. Dialogar é ser e se expressar é aprender junto.
Conhecimento trancafiado é alma sebosa que quer ser reconhecida só pelo nome e não pelo que é. Alma sebosa é aquele que vê apenas quantidade e não percebe a importância da qualidade no educar.
Ser arte/educador é desafio constante no mundo contemporâneo, é travar batalhas por uma coisa que muita gente transformou em outra: a Arte.
A arte que foi usada e ainda é como acessório, como frugalidade, como "abajur, apetrecho utilitário", como hobby, como vocação (e existe dom ou a habilidade técnica é algo que é estimulado e desenvolvido em determinado meio?).
Tanta gente já falou disso, tanta gente já pensou nisso e porque temos uma sociedade brasileira que desconhece ou ignora a Arte? Por que temos professores de arte que não sabem fazer um quadrado, um círculo, uma pessoa em forma de boneco? Por que temos professores de arte que sabem desenhar mas são alheios a outras questões que a Arte envolve? Por que temos professores de Arte que fingem que ensinam e deixam o "desenho livre" ou algo do gênero acontecer como atividade quase corriqueira nas aulas?
Resta pensar, resta-nos criticizar, resta-nos ler e reler e repensar Ana Mae e tantos outros essenciais que revolucionam nossa mente e nos fazem sonhar com uma arte/educação cada vez mais engajada, política, crítica, cultural, miti (multi,inter e trans)...
Conhecimento trancafiado é alma sebosa que quer ser reconhecida só pelo nome e não pelo que é. Alma sebosa é aquele que vê apenas quantidade e não percebe a importância da qualidade no educar.
Ser arte/educador é desafio constante no mundo contemporâneo, é travar batalhas por uma coisa que muita gente transformou em outra: a Arte.
A arte que foi usada e ainda é como acessório, como frugalidade, como "abajur, apetrecho utilitário", como hobby, como vocação (e existe dom ou a habilidade técnica é algo que é estimulado e desenvolvido em determinado meio?).
Tanta gente já falou disso, tanta gente já pensou nisso e porque temos uma sociedade brasileira que desconhece ou ignora a Arte? Por que temos professores de arte que não sabem fazer um quadrado, um círculo, uma pessoa em forma de boneco? Por que temos professores de arte que sabem desenhar mas são alheios a outras questões que a Arte envolve? Por que temos professores de Arte que fingem que ensinam e deixam o "desenho livre" ou algo do gênero acontecer como atividade quase corriqueira nas aulas?
Resta pensar, resta-nos criticizar, resta-nos ler e reler e repensar Ana Mae e tantos outros essenciais que revolucionam nossa mente e nos fazem sonhar com uma arte/educação cada vez mais engajada, política, crítica, cultural, miti (multi,inter e trans)...
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Do fogo
Estou bem próxima do fogo. Olho em introspecção, suas chamas, lembrando das idas e vindas que a vida me atravessou.
Ela não pára de ser, e não se consome, devo ser como a chama, preemência e afeto ao tempo, ao oxigenio que a vida dá.
São tantas as obrigações do cotidiano e não se deixar engolir pelas poeiras que o tempo traz pelo vento, cadenciado nas horas. Passa-passa e eu não tenho medo, envelhecer é já certo, o melhor remédio é abrir aquele sorriso que começa amarelo e se torna audível até chegar a gargalhada, grito rouco, eu gargalho então a todos aqueles olhos que me subjulgaram, eu simplesmente dou uma extrema gargalhada, sem motivo nenhum e ignoro.
Estou num momento de observação. Tem a minha pesquisa, tem os livros que devo ler, e os afazeres e o trabalho. Tem as tarefas cotidianas que parecem querer me engolir. Mas eu me faço cuspir de volta.
Quais então são as questões? Ver e ser. Não há tantos contrastes como parecemos encontrar.
Ser artista e ser professor.
Ser mulher e ser artista. Ser mulher, artista, professora e dona de casa.
Somos todos múltiplos.
Olho de novo para a chama da vela, a brisa muda seus contorno, ela permanece, mesmo sinuosa.
É isso mesmo viver a vida: permanecer mesmo nas sinuosidades e dificuldades do dia.
Ela não pára de ser, e não se consome, devo ser como a chama, preemência e afeto ao tempo, ao oxigenio que a vida dá.
São tantas as obrigações do cotidiano e não se deixar engolir pelas poeiras que o tempo traz pelo vento, cadenciado nas horas. Passa-passa e eu não tenho medo, envelhecer é já certo, o melhor remédio é abrir aquele sorriso que começa amarelo e se torna audível até chegar a gargalhada, grito rouco, eu gargalho então a todos aqueles olhos que me subjulgaram, eu simplesmente dou uma extrema gargalhada, sem motivo nenhum e ignoro.
Estou num momento de observação. Tem a minha pesquisa, tem os livros que devo ler, e os afazeres e o trabalho. Tem as tarefas cotidianas que parecem querer me engolir. Mas eu me faço cuspir de volta.
Quais então são as questões? Ver e ser. Não há tantos contrastes como parecemos encontrar.
Ser artista e ser professor.
Ser mulher e ser artista. Ser mulher, artista, professora e dona de casa.
Somos todos múltiplos.
Olho de novo para a chama da vela, a brisa muda seus contorno, ela permanece, mesmo sinuosa.
É isso mesmo viver a vida: permanecer mesmo nas sinuosidades e dificuldades do dia.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Partes
Oito cinco
perto sinto
quando começa a ventar
teus olhos me ouvindo
comendo abrigos
sou peça luminosa a espiaçar
cores
sem dores
perto deste tempo
em que não nos escondemos
e ainda não é ontem
que eu vi um sorriso
e dei as costas
ao cinismo
sou então feita de tuas páginas
partes quebradas
partes que estão à mostra.
perto sinto
quando começa a ventar
teus olhos me ouvindo
comendo abrigos
sou peça luminosa a espiaçar
cores
sem dores
perto deste tempo
em que não nos escondemos
e ainda não é ontem
que eu vi um sorriso
e dei as costas
ao cinismo
sou então feita de tuas páginas
partes quebradas
partes que estão à mostra.
domingo, 27 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Fundamentos do Ensino de Artes Visuais
MATERIAL DIDÁTICO DO MINI CURSO MINISTRADO NA SEMANA UNIVERSITÁRIA DE ARTES DISPONÍVEL NOS LINKS:
http://www.scribd.com/doc/32923474
http://www.scribd.com/doc/32923532
http://www.scribd.com/doc/32923474
http://www.scribd.com/doc/32923532
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Aquele que não tem paixão é doente
Você não é o que você come, você é o que você vive e como você vive.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
MOMENTOS A CONTAR
Momentos...
Está perto de um novo dia e eu vejo as horas passando, às vezes é tão rápido , outras nem tanto.
Quando o momento exato conta, enxergo expressão, contínuo encanto por entre as frestas que o dia dá, quando nos atemos a coisas além dos muros que a vida nos coloca. Ah, e então galgamos os obstáculos e temos ideia do que está do outro lado. A grama nem sempre é verde, mas ao menos não ficamos estagnados no olhar, corremos atrás de uma nova melodia de ser.
E bem , eu cidadã híbrida em uma contemporaneidade em polvorosa de conceitos, técnicas e metodologias me encontro trespassada entre dúvidas, dores e alegrias.
Procuro não deixar o caos atingir os ouvidos e invadir o corpo, e o corpo, esse invólucro descartável que filósofos destacaram como inutilizável peça onde a alma se prende. Leituras tantas e maior ainda se tornam as possibilidades e ser, eita é a maior dificuldade.
Como ser num momento fugaz, em que informação e discurso devem estar aliados a uma voz que sabe dialetizar a palavra e a teoria e proferir réplica, tréplicas sobre algo? Ser nesse momento não é importante, daí é o teórico em voga que responde por nossos lábios e então nos deleitamos no academicismo.
Sou meio desconfiada com preceitos estruturais. As estruturas não existem na teoria, temos as estruturas mentais que permeam nosso intelecto no intuito de dar-nos suficiente base para agir, criar, demonstrar e refletir sobre quem somos e sobre tudo à nossa volta. Na teoria, estruturas são paradigmas e bem já afirmam os velhos teóricos e os novos da atualidade, a perda dos paradigmas veio pós-modernidade.
No momento, faço anos e vejo o tempo como paranóia coletiva.
Estou me indagando se é mesmo necessário se ater a tudo, se não podemos escolher particularidades, pois no detalhe, na delicadeza, na entrelinha está a arte, a parte que talvez nos falte, quando o discurso se torna hábito e o hábito nos fecha em muros e os muros são tão altos que não sabemos mais quem somos e pra quê viemos ao mundo.
Já me questionei se é divertido a teoria. Divertido talvez não, mas ela nos ajuda a refletir sobre coisas que nos parecem importantes. Para mim importante é agora o dia que ainda não chegou e o dia que está dormindo nessa noite sonolenta.
O momento é um toque de palavras que ecoam como um sussuro na mente, contando coisas que guardo no subconsciente e exalo minutos antes de dormir, é quando deságuo a cor das horas que me encharcam, tomam conta do meu dia. E o dia é contado assim a conta-gotas, pinga, pingando deveres e afazeres. Sou contada por questões que mudam, aparentemente, de acordo com discursos, hierarquias e necessidades.
Programas, impossível, planejar o óbvio, essencial, os desacertos acontecem e o estresse básico de ser em constante transformação, de ler e reler e notar que nunca se tem certeza de nada, que talvez o que se lê hoje amanhã não terá validade é uma constante.
E desconfio que agora eu esteja confabulando, pode ser.
Escrever, necessidade mais eterna que o respirar, queria poder estar nas ondas que sempre trocam em diálogos com a areia, tocar a tua pele de enlance, em ritmo cadente te contar que nos encontramos, nos parecemos, somos todos seres humanos e todas palavras só tem sentido no momento se uma coisa existe:
o sentimento.
Muito certo estava quem disse que razão sem sensibilidade não é razão, é logicidade.
Segundo a lógica talvez isto seja mais um devaneio, segundo a razão é um contar, de acordo com a sensibilidade se chama diálogo.
Está chegando amanhã, depois te conto do momento em que eu fizer mais anos, se valeu a pena se deixar contar ou se foi melhor contar as contas que as gotas da vida me revelará.
Está perto de um novo dia e eu vejo as horas passando, às vezes é tão rápido , outras nem tanto.
Quando o momento exato conta, enxergo expressão, contínuo encanto por entre as frestas que o dia dá, quando nos atemos a coisas além dos muros que a vida nos coloca. Ah, e então galgamos os obstáculos e temos ideia do que está do outro lado. A grama nem sempre é verde, mas ao menos não ficamos estagnados no olhar, corremos atrás de uma nova melodia de ser.
E bem , eu cidadã híbrida em uma contemporaneidade em polvorosa de conceitos, técnicas e metodologias me encontro trespassada entre dúvidas, dores e alegrias.
Procuro não deixar o caos atingir os ouvidos e invadir o corpo, e o corpo, esse invólucro descartável que filósofos destacaram como inutilizável peça onde a alma se prende. Leituras tantas e maior ainda se tornam as possibilidades e ser, eita é a maior dificuldade.
Como ser num momento fugaz, em que informação e discurso devem estar aliados a uma voz que sabe dialetizar a palavra e a teoria e proferir réplica, tréplicas sobre algo? Ser nesse momento não é importante, daí é o teórico em voga que responde por nossos lábios e então nos deleitamos no academicismo.
Sou meio desconfiada com preceitos estruturais. As estruturas não existem na teoria, temos as estruturas mentais que permeam nosso intelecto no intuito de dar-nos suficiente base para agir, criar, demonstrar e refletir sobre quem somos e sobre tudo à nossa volta. Na teoria, estruturas são paradigmas e bem já afirmam os velhos teóricos e os novos da atualidade, a perda dos paradigmas veio pós-modernidade.
No momento, faço anos e vejo o tempo como paranóia coletiva.
Estou me indagando se é mesmo necessário se ater a tudo, se não podemos escolher particularidades, pois no detalhe, na delicadeza, na entrelinha está a arte, a parte que talvez nos falte, quando o discurso se torna hábito e o hábito nos fecha em muros e os muros são tão altos que não sabemos mais quem somos e pra quê viemos ao mundo.
Já me questionei se é divertido a teoria. Divertido talvez não, mas ela nos ajuda a refletir sobre coisas que nos parecem importantes. Para mim importante é agora o dia que ainda não chegou e o dia que está dormindo nessa noite sonolenta.
O momento é um toque de palavras que ecoam como um sussuro na mente, contando coisas que guardo no subconsciente e exalo minutos antes de dormir, é quando deságuo a cor das horas que me encharcam, tomam conta do meu dia. E o dia é contado assim a conta-gotas, pinga, pingando deveres e afazeres. Sou contada por questões que mudam, aparentemente, de acordo com discursos, hierarquias e necessidades.
Programas, impossível, planejar o óbvio, essencial, os desacertos acontecem e o estresse básico de ser em constante transformação, de ler e reler e notar que nunca se tem certeza de nada, que talvez o que se lê hoje amanhã não terá validade é uma constante.
E desconfio que agora eu esteja confabulando, pode ser.
Escrever, necessidade mais eterna que o respirar, queria poder estar nas ondas que sempre trocam em diálogos com a areia, tocar a tua pele de enlance, em ritmo cadente te contar que nos encontramos, nos parecemos, somos todos seres humanos e todas palavras só tem sentido no momento se uma coisa existe:
o sentimento.
Muito certo estava quem disse que razão sem sensibilidade não é razão, é logicidade.
Segundo a lógica talvez isto seja mais um devaneio, segundo a razão é um contar, de acordo com a sensibilidade se chama diálogo.
Está chegando amanhã, depois te conto do momento em que eu fizer mais anos, se valeu a pena se deixar contar ou se foi melhor contar as contas que as gotas da vida me revelará.
sábado, 27 de março de 2010
Uma
Reconheço a resposta. O trevo de quatro folhas em TNT vermelho encontrado, fatos e ações acontecidas.
Manhã doce. Sou uma.
Manhã doce. Sou uma.
domingo, 21 de março de 2010
Se as horas
Percorro o instante em que sentei naquela praia semideserta e olhei densamente para o mar que quebrava suas ondas com o desvelo dos amantes a se tocarem sobre a areia fina e avermelhada.
Estive por longos momentos ora revendo todos os acontecimentos, ora com o olhar perdido entre as marolas e seus sons relaxantes.
Faz um certo tempo que não enxergava o mar.
Tantos anos, tantas palavras, tantas pessoas e pouco tempo. O tempo diagnosticado, tomado, calculado, conta-gotas contado.
Andei ainda alguns quilômetros enquanto o sol se punha sobre a areia molhada.
Eu pregaria para os cegos, surdos, toda a vontade que está aqui tão viva como no dia que a descobri.
Foi assim: ardia um forte desejo. Contar coisas novas, desvendar horizontes e renovar ares, ser transformação em ação para outros.
E a chama nunca se apaga, lá está ela queimando pelo diálogo, pela troca entre mim e meus alunos, mim e meus mestres, mim e a vida.
Consigo hoje controlar a ansiedade com a certeza plena de que dias virão de alegria e tristeza, mas este fogo que arde sempre, este amor pela educação não falecerá.
Quanto mais pesquiso, leio e estudo, maior se torna o desejo pela mudança, quebra, renovação.
Amanhã é um dia de respostas, eu me calo em silencio e vou organizando as coisas, a casa, colocando detalhes que eu nem lembrava que existiam, colecionando momentos marcantes.
E nisso me sinto feliz, plenamente.
Agradeço então por ter conseguido uma parte do que sempre quis.
Estive por longos momentos ora revendo todos os acontecimentos, ora com o olhar perdido entre as marolas e seus sons relaxantes.
Faz um certo tempo que não enxergava o mar.
Tantos anos, tantas palavras, tantas pessoas e pouco tempo. O tempo diagnosticado, tomado, calculado, conta-gotas contado.
Andei ainda alguns quilômetros enquanto o sol se punha sobre a areia molhada.
Eu pregaria para os cegos, surdos, toda a vontade que está aqui tão viva como no dia que a descobri.
Foi assim: ardia um forte desejo. Contar coisas novas, desvendar horizontes e renovar ares, ser transformação em ação para outros.
E a chama nunca se apaga, lá está ela queimando pelo diálogo, pela troca entre mim e meus alunos, mim e meus mestres, mim e a vida.
Consigo hoje controlar a ansiedade com a certeza plena de que dias virão de alegria e tristeza, mas este fogo que arde sempre, este amor pela educação não falecerá.
Quanto mais pesquiso, leio e estudo, maior se torna o desejo pela mudança, quebra, renovação.
Amanhã é um dia de respostas, eu me calo em silencio e vou organizando as coisas, a casa, colocando detalhes que eu nem lembrava que existiam, colecionando momentos marcantes.
E nisso me sinto feliz, plenamente.
Agradeço então por ter conseguido uma parte do que sempre quis.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Orientações
Norte - sonhos
Sul - memória
Leste - contradições
Oeste - sensações
1. (In) certezas
Parte de nossa existência é cercada de falta de certezas. Não sabemos o que vai acontecer e como será. As vitórias aparecem depois do esforço e, também são fruto de uma certeza interna.
Acreditar em suas convicções e em seus valores, colocar trabalho nisso é um dos primeiros objetivos do professor em sua vocação. O certo é que sempre haverão desafios, sempre haverão problemas, mas temos de ter dentro do coração a fé no que se faz, no que se diz, no que se é e tudo se tornará o que se sonha ser.
2. Pegadas
Cada um tem um caminho, uma história, um destino.
Conquistar passos a frente, olhando para as vezes que caimos para melhor aprender a andar. As pegadas são o rascunho que a memória traça contando quem somos e a que distância estamos de nossos objetivos na vida. Pegadas são os passos dados entre uma pessoa e outra, aluno e professor, pontes do aprendizado.
3. Sonhos
Para serem construídos é necessário esforço. Agir tal qual a sua vontade sem atropelamentos. As pessoas sabem falar, difícil é medir o que se fala e no momento em que se fala. Aprender a dizer o necessário e essencial. Não adianta o professor falar se o aluno não escuta, é atirar palavras ao vento. Não adianta o aluno escutar se o professor não o ouve. Pessoas são abertas a diálogos e fechadas em combates dialéticos.
4. O tempo
Daqui a um ano espero não só ter alcançado minhas metas, mas alcançado elas com uma tranformação em mim e naqueles que me cercam. Que as minhas (in)certezas se tornem vontade, que minhas pegadas sejam mais do que marcas na areia, que eu lembre de coisas que devo lembrar, que eu sinta a verdade e a veracidade nas horas que se seguem e que eu deixe de legado meus sonhos realizados.
Sul - memória
Leste - contradições
Oeste - sensações
1. (In) certezas
Parte de nossa existência é cercada de falta de certezas. Não sabemos o que vai acontecer e como será. As vitórias aparecem depois do esforço e, também são fruto de uma certeza interna.
Acreditar em suas convicções e em seus valores, colocar trabalho nisso é um dos primeiros objetivos do professor em sua vocação. O certo é que sempre haverão desafios, sempre haverão problemas, mas temos de ter dentro do coração a fé no que se faz, no que se diz, no que se é e tudo se tornará o que se sonha ser.
2. Pegadas
Cada um tem um caminho, uma história, um destino.
Conquistar passos a frente, olhando para as vezes que caimos para melhor aprender a andar. As pegadas são o rascunho que a memória traça contando quem somos e a que distância estamos de nossos objetivos na vida. Pegadas são os passos dados entre uma pessoa e outra, aluno e professor, pontes do aprendizado.
3. Sonhos
Para serem construídos é necessário esforço. Agir tal qual a sua vontade sem atropelamentos. As pessoas sabem falar, difícil é medir o que se fala e no momento em que se fala. Aprender a dizer o necessário e essencial. Não adianta o professor falar se o aluno não escuta, é atirar palavras ao vento. Não adianta o aluno escutar se o professor não o ouve. Pessoas são abertas a diálogos e fechadas em combates dialéticos.
4. O tempo
Daqui a um ano espero não só ter alcançado minhas metas, mas alcançado elas com uma tranformação em mim e naqueles que me cercam. Que as minhas (in)certezas se tornem vontade, que minhas pegadas sejam mais do que marcas na areia, que eu lembre de coisas que devo lembrar, que eu sinta a verdade e a veracidade nas horas que se seguem e que eu deixe de legado meus sonhos realizados.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
A Arte
Vejo sempre a Arte como algo que liberta, que traduz, que transpõe.
Sou movida pelas suas ideias, suas noções, suas práticas e, por muitas vezes me encontrei nela.
Quantas pessoas passaram por um ensino de Artes deficiente, perpassado por noções equivocadas da Estética, das formas, do próprio aprender e enxergar Arte... Muitas pessoas acham, por isso e outros motivos, a Arte inútil.
E o que é útil então?
Quando tocamos alguma expressão que nos emite a criação algo incrível acontece, há um certo ar de magia na Arte, mesmo no Pós-moderno, nos conceitualismos, na quebra, nos hibridismos perceptuais. A Arte toca, de alguma forma, a humanidade que achamos que perdemos, porque estamos vazios e deseperados em uma solidão mediada pela tecnologias e intermediada pelas mídias que nos manipula, nos traz o prazer em frente a TV enquanto não pensamos e assistimos. Nosso mundo e nossas sensações, tempo para pensar, ser, criar, a Arte permite isso, não há quem o negue. Talvez ninguém consiga conceituar realmente o que seja ou não Arte, porém, nós sabemos quando ela nos atravessa.
E eu atravesso as horas sentindo e percebendo as coisas.
Atravesso contando, recontando, vendo e trocando.
Acredito no diálogo.
Acredito num futuro de crescimento interconectado, interdisciplinar, inter...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Ensinar é ser espelho
"A força da palavra"
técnica mista - 2008
Muitos me alertaram sobre ser professor universitário, em questões como o ego, a busca pelo sucesso na carreira, às vezes "esquecendo de si mesmo", a disputa dos títulos, "sou doutor em... e você , é mestre em que?", ou coisas do gênero.
Depois de um pouco mais de 3 meses, estou já com uma visão sobre como é a carreira de um professor universitário.
Para dizer isso, primeiramente preciso fazer referência ao momento em que decidi batalhar para um dia lecionar em uma universidade. E meu sonho era grandioso: teria que ser uma universidade federal.
Eu passei alguns anos de minha vida dando aulas a supletivo, ensino fundamental (polivalente), educação de jovens e adultos, oficinas de artes com crianças e mini-cursos com idosos. Em todos, tive grandes desafios, mas pude perceber algo que me motivou: no ensino fundamental estavam as maiores carências (afetiva, teórica, humana, em artes).
Nesta fase, compreendi que o ensino é o espelho pelo qual é desenvolvido o diálogo.
Para mudar a base do ensino é necessário uma mudança da parte superior do plano - mudar as mentes dos futuros professores, para que exerçam efetivamente o magistério.
Na época, me perguntei em como faria isso.
Porque algumas pessoas me achavam sonhadora demais. Porque eu ainda estava fazendo especialização e, via de regra (senso comum no Ceará) os professores de universidades federais possuem, no mínimo Mestrado.
Eu sabia que tinha de correr para um Mestrado, ai fui visitar aulas na UFC e na UECE. Vi não peixes, mas tubarões enormes e suas indicações pras vagas, desanimei no momento e desisti de tentar. Continuei participando de palestras, conferências, para me animar.
Pois foi buscando informações na internet sobre a área que mais gosto em Artes que descobri a seleção para tutor no novo Curso de Licenciatura em Artes Plásticas na UECE via UAB. Inscrevi-me, fiz a seleção e passei! Fui lecionar em Orós como professora formadora e aprendi muito com os alunos de lá.
Pois bem, novamente na Internet, encontrei o concurso pra professor na UNIVASF.
Fui desacreditada por muitas pessoas que me conheciam: 1 vaga? Loucura!
Confiei em mim e na força que me motivava a continuar e seguir com meus objetivos, estudava até a madrugada, ia trabalhar às 6 hrs, chegava em casa às 18hr e ficava estudando. Me privei de algumas coisas para conseguir. Li toda a bibliografia, planejei minha aulas, pensei e pesei tudo bem.
E o resultado chegou, e estou aqui.
Com esta experiência posso afirmar que podem até haver pessoas que consideram um título maior que a experiência ou o conhecimento apreendido através da auto-gestão do conhecimento. Porém, acredito que aprender é estar aberto a novas possibilidades de ver. Não sou este tipo de pessoa e, mesmo quando conseguir chegar ao doutorado, não me sentirei superior a ninguém, pelo contrário, desejarei contribuir mais pra educação.
Com este cargo, com as pessoas que venho conhecendo e estão vendo meu esforço e dedicação, posso afirmar que é uma experiêcia incrível, que perpassa por uma dialética e, além disso, revela em seus reflexos potencialidades e possibilidades no diálogo.
Não tenho medo de dizer o que penso, não tenho máscaras e não vim pra vencer às custas de "pisar" em alguém.
Vim pra estudar a educação e pra construir com meus alunos uma mudança, uma mudança significativa no ensino.
Não adianta você estudar educação e não intervir na escola. É falar no vazio, é teorizar sem agir. Eu tive minhas pequenas grandes vitórias por onde passei e isso sempre levarei na lembrança como o estímulo e amor pela educação. Quero que meus alunos sonhem comigo nessa transformação através do ensino de Artes, nessa possibilidade tangível e necessária.
Enfim, ser educador em uma universidade é ir além da fala, é permear outros âmbitos além da Academia, é olhar o outro profundamente e mostrar a ele as tantas janelas que levam a imensidão do mundo.
Lecionar Artes é compreender que a visão precisa de um maior adensamento, é dialogar sobre a produção, é enxergar para o passado com o olho vivo no futuro, é, principalmente, participar ativamente de uma construção de si e do outro através da imagem refletida no espelho.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Ah...Educação...
"Flores de tinta não morrem"
acrílico s/ tela - 2009
Abaixo segue um texto que o aluno Marcos Velasch (nome artístico) me entregou em um trabalho sobre Sociologia da Educação.
Este post é uma homenagem a todos os alunos que vêm demonstrado não só inteligência mas também criatividade e percepção crítica sobre o fenômeno educacional.
Costumamos pensar na Educação como um processo para “a vida toda”.
Foi assim que aprendemos ao longo da nossa jornada nos bancos escolares, e será sempre esse o slogan de professores, família, enfim, essa ainda é a bandeira que costumamos hastear quando nos pomos diante do tema educação.
Mas, como se dará esse processo ao longo da vida?
O que nos espera além dos muros escolares e dentro deles?
O tempo urge e urra em busca de uma resposta menos subjetiva para “essa vida toda” que nos é prometida pelo discurso educativo.
Sabemos que a escola e o aluno estão ligados intrinsecamente pela figura do professor e pelo fantasma da “sociedade”, grande “máquina” manipuladora do ser e do ter enquanto ser social.
Ao longo dos anos, a sociedade tem ditado os modelos que a escola deve seguir no processo de ensino e aprendizagem, geralmente desprezando o intercâmbio entre o saber do aluno e o saber do professor, criando entre eles um distanciamento gritante.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Eu confio!
A palavra de ordem do dia é confiança.
Confiar para merecer
Confiar para crescer
Confiar para criar
Confiar para distinguir
Confiar para discernir
Confiar para dialogar
Confiar para conseguir
Confiar para conquistar
Confiar para seguir
Confiar para construir
Confiar para renovar
Confiar para decidir
Confiar para ir...
Confiar para merecer
Confiar para crescer
Confiar para criar
Confiar para distinguir
Confiar para discernir
Confiar para dialogar
Confiar para conseguir
Confiar para conquistar
Confiar para seguir
Confiar para construir
Confiar para renovar
Confiar para decidir
Confiar para ir...
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