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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Eu Hoje


Do meu novo livro, em andamento...


Eu hoje não sou mais ontem
e do ontem me fui feita
perto, bem perto daquela vez
em que não fiquei na borda, pulei
vi mundos
sem fundos
portas a conta-gotas
fechadas se abrindo
em aberturas, em viezes
fui cozendo e sentindo
entendendo o valor do tempo
sem contratempos...
Hoje, a vértebra do ontem, 
enraizada no corpo não mente...
colabora no intento,
peço ao vento, 
que sopre além dos montes,
das barreiras, dos territórios,
vá bem longe
onde eu ainda não foquei meu olhar.
Eu hoje sou mais que ontem 
eu hoje estou mais próxima do amanhã...
das dores, o alento
das quedas, sem tormento
das descobertas, o aprendizado
todo tudo
tudo todo
pode ser ensinado.
Penso que o dia hoje é mais
um ponto,
perto da ponte
que me leva a outros tantos
sem entretantos...
Daí que eu escuto batendo
pulsando
lembrança da herança
que os dias vão brotando 
na gente...
Eu hoje sou aquela que te disse
sem miragens
o quão próximos estamos
de todos
de tudo.

Como citar: VASCONCELOS, F. M. B. P. Eu Hoje. In: Narrativas de Professora/Artista/Investigadora.  Disponível em <http://flapedrosa.blogspot.com.br/2013_01_01_archive.html>. Acesso em XX Mês. Ano. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Sublime

Este texto é de 2006, mais um achado no meio dos papeis...
São 8:40.
 
O desafio. Transcorrer anologamente sobre a falácia.
Nem tanto. 
Concordo com o intento, há de o vento tocar de leve, carregar ensimesmadamente a densidade ôca dessa manhã. 
As passadas contadas a queixume, colocam de desgaste a sensação que não se consome.  
Palavras que vêm redemoinho, tornando enxague agridoce na calamidade desse segundo. 
Buscam imagens acordada aos repentes, são muitas, dezenas, milhares, chegam a confundir se não as desaguo logo. E é já, esse logo agora que daí não é nada além de dizer do motivo.  
Tem um gesto, elas querem dizer algo, olho para a xícara, a frase vem enrubescida mas com gosto: amo paulatinamente esse proporcionar.  
Palavras hão de ser verbo afirmativo causador de intensa expressividade.
E o porvir de vislumbre permeia a vivescência de uma flor cheia de orvalho defronte à janela.
O sol derramando seus raios de tênue luz, timidamente como um toque sensível sobre a face da humanidade. 
Permaneço aqui, possuída pelo êxtase. 
O calor suavizante a penetrar pelos poros animando o espírito e ao mesmo contando do a pouco voltar em mormaço. Não aludo ao crime. Entorno o copo metade cheio. 
Conto do prazer sublime.

Palavra-porta

Este texto é de 2008...encontrei-o entre meus papeis...

Não há como se esconder da necessidade.
 Eu escrevia em cartas, lidas e relidas eram as respostas de quem me escutava, algumas vezes pensei que estivesse escrevendo como quem joga uma garrafa com uma mensagem ao mar.
Quem a lêsse poderia querer trocar uma idéia e mandá-la de volta, ou não. 
A certeza que tive foi  de que o silêncio, o silêncio é incentivo para a multiplicação do gesto em voz. 

E hoje, em viva-voz me veio, certeira, alvo na testa cortando, cortando, queria dizer sem aperreio.
As diversas capacidades, entremeadas estão, pela pequena brecha que a luz perpassa neste momento.
Qualquer sentença melancólica pode ser sinônimo de nostalgia e, bem, não pretendo denotar tristeza.
Cada pedaço de mim se transforma em palavra, desenvolta em caracóis que o vento
traz sem pressas. 
Percebo as rochas que foram se quebrando pelo caminho, entre quedas, percalços atravessando águas, pequenos espinhos presos à pele, descamando e vertendo em vinhos, a palavra foi envolta em púrpura delicadeza dos tantos desafios.
Eu não tive medo em atravessar, em tentar coisas novas e partir, mudanças, pessoas e tarefas acumuladas, palavras atiradas ao fogo, lenha pra se acostumar aos tiros e balas. Facadas antes de chegar à sala de estar. 
Estar é um contínuo, ninguém é verdadeiramente, somos o que o tempo e as experiências nos tornou.
Somos o que sofremos, o que aprendemos.
Aprendi a força da palavra, com seu gesto sem desepero a contar recados infinitamente necessários, força do ego, diálogo, não sei, sei que não consigo parar.
Quantas vezes a Arte não me foi questionada, quantas críticas, que país é este, quem valoriza a palavra? A palavra tem preço?  Só se ela se revirasse em suas entranhas e, depois em um lenços espalmada, abracadabra!
Não, a palavra e o sentido são à vista, doados, sem grandes rascunhos ou cortes. Adquiri, com a vontade, uma força infinita, rosa almiscarada de perfume, noite em veludo luar.

A palavra é amante que em êxtase beija a tua flor e te dá um querer maior ao espírito.
A palavra é política promessa de enunciação ao processo da linguagem.
Somos palavra quando nos desnudamos à viva-voz que ecoa em todos nós: permanecemos atados pelo tempo, pelo reflexos de quem fomos e do que seremos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cursos de extensão EAD 100% gratuitos- UNIVASF

NARRATIVAS E VISUALIDADES – Cursos de Extensão em EaD consiste na oferta de 8 cursos nas áreas de Literatura em suas variadas expressões (romance, poesia, dramaturgia, conto) e de Artes Visuais (cinema, pintura e teatro) e suas correlações. Os cursos serão oferecidos via Moodle por docentes da UNIVASF e de outras instituições de ensino superior, assim como de organizações não governamentais.
O projeto foi apresentado pelo Prof. Fulvio Torres Flores, do Curso de Artes Visuais, e aprovado na Pró-Reitoria de Integração) da UNIVASF no final de 2011.
Cada curso terá 21 vagas e a distribuição será realizada contemplando as várias comunidades dos tutores/as envolvidos/as. Por comunidade, entenda-se o público interno e (especialmente) externo às universidades/escolas. Havendo vagas remanescentes em uma comunidade, elas serão automaticamente redistribuídas para as demais.
INSCRIÇÕES AQUI
Univasf Proin CursoArtesMoodle

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Veja o vento




Venta

Entre intrigas

nóias

noções equivocadas

Venta

Venta o vento

tempo passando

mostrando o oculto

o entretanto

percebendo

Vento peço alento

pra se desculpar

vento no intento

é preciso se perdoar

fatos e ações

entendimentos

mostra o tempo

a veracidade que o dia nublado

fechou olhos, nariz,

ouvidos

abriu a boca bem grande e gritou:

vaiiiiiiii

o coração ainda pulsa

esperando que o alento

cure feridas

que hora ou outra

ousam sangrar.



o vento esquecendo

deixando, entendendo

hoje não é tarde

amanhã quem sabe

os olhos voltem a olhar

os ouvidos a ouvir

a boca a escutar

e o corpo como um todo

seja amigo do outro

entre espelhos

vendo-se.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Minha alma desperta

No silêncio da solidão minha alma desperta quero sentir teu suor atado a meu corpo e entre exangue desafio desfiar noites e dias e relembrar antigas sensações de calafrios.

Quero revestir todo o quarto do mais puro sentimento, reencontrar minhas necessidades atadas ao vento, perceber o fino toque das pequenas coisas que nos revelam.

Quero desbastar nesta matéria cândida o sossego, tanto corrido desapego foi quando eu disse e esqueci, vontade louca de viver plenamente, acordar novos ares, novas expectativas.

Eu tenho um sonho preemente, que está bem à altura da vista, passa todo dia em filme, rolando nas cabeças e copos, é bem real, estar de encontro a ti, que me lê, me segue, me dá inspiração.

Minha alma desperta para as luzes desse novo dia que ainda virá,
quando como as coisas
e as desaguo e elas São,
refletidas em multiplicidades.

Saudade,
cheiro amargo,
doce emperdenido na boca tocado,
enchumascado carne quente,
cortando o ventre,
dando um quero mais.

Minha alma desperta
aberta
aperta
o teu querer.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dias melhores

Entre auroras e luares meu coração desperta,
abre um sossegado suspiro e bocejo, enormemente.
Queria uma verdade explícita,
o mundo há de estar encoberto demais de maquiagens.

Vou tocando densamente as elevações flocadas das nuvens,
desfacelando o começo do dia pedindo, pedindo, desejando.
Desejo desmedido entre as barras,
qual a suspeita da dor?

A dor atravessada,
buscar sempre, não deixar virar barulho de choquinha.
Eu já quis demais sair de um lugar,
ir além dos muros,
atravessei o caminho que estava tão distante
e fiz nós,
nós que nos soltaram dessa dor de ser.

Nós que estamos a meio caminho e,
às vezes, morremos na praia.

E eu não páro de tentar,
não consigo nem por um minuto deixar a corda rolar solta,
tenho medo de nos enforcar.

Muitas saídas aparecem,
mas nenhuma visível, elucubrações.
Vejo em minha mente um sonho completo,
procuro visualizá-lo,
ele é destino, imagem, miragem, quero muito.
Tento sentí-lo em minhas mãos, bem perto do corpo.
Empedernido é o desejo de algo além.

Nestas quatro paredes virtuais
sussuro ao teu ouvido,
não há milagres,
há sim, sempre , uma luta entre o que somos e o que queremos realmente ser.

O dia de hoje está começando,
ainda não é o novo dia que eu mereço ter e,
mesmo assim, eu luto por dias melhores.