Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Eu Hoje


Do meu novo livro, em andamento...


Eu hoje não sou mais ontem
e do ontem me fui feita
perto, bem perto daquela vez
em que não fiquei na borda, pulei
vi mundos
sem fundos
portas a conta-gotas
fechadas se abrindo
em aberturas, em viezes
fui cozendo e sentindo
entendendo o valor do tempo
sem contratempos...
Hoje, a vértebra do ontem, 
enraizada no corpo não mente...
colabora no intento,
peço ao vento, 
que sopre além dos montes,
das barreiras, dos territórios,
vá bem longe
onde eu ainda não foquei meu olhar.
Eu hoje sou mais que ontem 
eu hoje estou mais próxima do amanhã...
das dores, o alento
das quedas, sem tormento
das descobertas, o aprendizado
todo tudo
tudo todo
pode ser ensinado.
Penso que o dia hoje é mais
um ponto,
perto da ponte
que me leva a outros tantos
sem entretantos...
Daí que eu escuto batendo
pulsando
lembrança da herança
que os dias vão brotando 
na gente...
Eu hoje sou aquela que te disse
sem miragens
o quão próximos estamos
de todos
de tudo.

Como citar: VASCONCELOS, F. M. B. P. Eu Hoje. In: Narrativas de Professora/Artista/Investigadora.  Disponível em <http://flapedrosa.blogspot.com.br/2013_01_01_archive.html>. Acesso em XX Mês. Ano. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Transposição poética

Abro os olhos. Vejo o fino som,
ímpar cor perpassando o tempo.
Fecho os olhos, anuncio de novos amanhãs.
Todo tom tem um tempo perfeito de ser,
todo som é aquele espaço entremeado de luz e sombra
que realça a hora, em volúpia.
E eu, eu tenho agora na mão pedaço de porta,
cortando ares em relento.
Cubro de beijos
e revejo todos os olhos rúbios,
doces gestos no fim do dia.
Como daquele ano em que a dor doida não doia,
ela sangrava suavemente em palavras,
palavras fortes, cruas, sedentas de ser.
Elas diziam, alardeando: nasci e estou a crescer!
E de repente,
me vi novamente nua
defronte todos os espelhos refletidos,
os que vi,
os que criei,
os que fazem parte do agora.
Perto disso vejo a rede fina que nos enlaça,
queda vertiginosa
que nos faz querer mais,
cada instante roubado nesse entremeio,
eu aqui, virtuada,
virtualmente ressignificada.
Sei que enfim, tu me olhas, 
com teu olhar de devoro, 
de esgueiro,
repassa as dores do que não foi, 
porque o tempo, tempo é para poucos. 
Tempo certo, 
momento de ser, 
assumidamente. 
Tatuo na mensagem 
todos os minutos escondidos
em segredo, 
no recôncavo dos toques, 
sussurados no que não foi dito, 
silenciado. 
Babulcio a força que move em velocidade plena,
aceito o destino, 
olhos, 
grandes olhos auscultando a platéia 
que vive e não vive, 
que apenas visualiza e é visualizado. 
Eu sou então a pluma, 
voando pelos ares, 
sem pesos ou medidas, 
sou forçadora de entregas mútuas 
e que saia, 
saia logo o que estava preso. 
Vou para casa em um caminho longo. 
No encontro novo, 
de novo, 
vejo árvores, pedras, pessoas, lugares, 
mudando porque também mudei, 
e a lua, que há de ditar para alguns, 
o momento certo de dizer adeus.
Calculo que estou parindo,
um detalhe, 
um rimo,
um entalhe
e risco, 
como quem pinta um quadro sem o desenho pronto, 
sei que flui, 
misturando a paleta com voracidade as cores chegam,
sem que as convide ao certo, 
vejo-as prontas à minha frente no gesto do que é dito. 
Entremeio partes, 
colho detalhes, 
guardando-os para depois, 
quem sabe um dia, 
um dia eu chegue ao ponto 
e do ponto não seja apenas um segundo, 
soltando as asas longe...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Veja o vento




Venta

Entre intrigas

nóias

noções equivocadas

Venta

Venta o vento

tempo passando

mostrando o oculto

o entretanto

percebendo

Vento peço alento

pra se desculpar

vento no intento

é preciso se perdoar

fatos e ações

entendimentos

mostra o tempo

a veracidade que o dia nublado

fechou olhos, nariz,

ouvidos

abriu a boca bem grande e gritou:

vaiiiiiiii

o coração ainda pulsa

esperando que o alento

cure feridas

que hora ou outra

ousam sangrar.



o vento esquecendo

deixando, entendendo

hoje não é tarde

amanhã quem sabe

os olhos voltem a olhar

os ouvidos a ouvir

a boca a escutar

e o corpo como um todo

seja amigo do outro

entre espelhos

vendo-se.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Minha alma desperta

No silêncio da solidão minha alma desperta quero sentir teu suor atado a meu corpo e entre exangue desafio desfiar noites e dias e relembrar antigas sensações de calafrios.

Quero revestir todo o quarto do mais puro sentimento, reencontrar minhas necessidades atadas ao vento, perceber o fino toque das pequenas coisas que nos revelam.

Quero desbastar nesta matéria cândida o sossego, tanto corrido desapego foi quando eu disse e esqueci, vontade louca de viver plenamente, acordar novos ares, novas expectativas.

Eu tenho um sonho preemente, que está bem à altura da vista, passa todo dia em filme, rolando nas cabeças e copos, é bem real, estar de encontro a ti, que me lê, me segue, me dá inspiração.

Minha alma desperta para as luzes desse novo dia que ainda virá,
quando como as coisas
e as desaguo e elas São,
refletidas em multiplicidades.

Saudade,
cheiro amargo,
doce emperdenido na boca tocado,
enchumascado carne quente,
cortando o ventre,
dando um quero mais.

Minha alma desperta
aberta
aperta
o teu querer.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dias melhores

Entre auroras e luares meu coração desperta,
abre um sossegado suspiro e bocejo, enormemente.
Queria uma verdade explícita,
o mundo há de estar encoberto demais de maquiagens.

Vou tocando densamente as elevações flocadas das nuvens,
desfacelando o começo do dia pedindo, pedindo, desejando.
Desejo desmedido entre as barras,
qual a suspeita da dor?

A dor atravessada,
buscar sempre, não deixar virar barulho de choquinha.
Eu já quis demais sair de um lugar,
ir além dos muros,
atravessei o caminho que estava tão distante
e fiz nós,
nós que nos soltaram dessa dor de ser.

Nós que estamos a meio caminho e,
às vezes, morremos na praia.

E eu não páro de tentar,
não consigo nem por um minuto deixar a corda rolar solta,
tenho medo de nos enforcar.

Muitas saídas aparecem,
mas nenhuma visível, elucubrações.
Vejo em minha mente um sonho completo,
procuro visualizá-lo,
ele é destino, imagem, miragem, quero muito.
Tento sentí-lo em minhas mãos, bem perto do corpo.
Empedernido é o desejo de algo além.

Nestas quatro paredes virtuais
sussuro ao teu ouvido,
não há milagres,
há sim, sempre , uma luta entre o que somos e o que queremos realmente ser.

O dia de hoje está começando,
ainda não é o novo dia que eu mereço ter e,
mesmo assim, eu luto por dias melhores.

domingo, 31 de agosto de 2008

O que reflete sobre o espelho

Já tive o olhar vendado,
separado de mim,
imiscuído era simples reverberação de outros olhos
olhar apartado, de preconceito revestido
já tive o olhar querido
desejado
e com quantos olhos me tratei
que o olhar com cuidado foi desaparecendo...
E foi aí que eu vi o espelho
espelho quadradinho, em redoma revestido de azulejos pequenos e azuis,
era ele pedindo um momento de separação
e me deixei levar
fui espelho e olhar e olhei para mim.
Defronte do espelho eu não quis saber de outros olhos
e foi então tal a surpresa e tal o reconhecimento
que em grandes águas meus olhos se banharam,
quanto tempo havia se passado...