domingo, 12 de dezembro de 2010

Homenagem

Este pôster é uma homenagem aos meus queridos/as alunos/as e aos nossos diálogos contínuos. Obrigada pelos quadrinhos! E quem será essa que anunciam? rsrsrs Detalhe as havianas voando, realmente vocês prestam atenção ao que falo, rsrs.

domingo, 28 de novembro de 2010

Voos entre nós

Entre São Paulo e Recife, 28 de novembro de 2010.


Contemplar as verdades nos faz um bem imenso, principalmente quando são verdades incômodas, que escondíamos para não nos revirarmos. Com humildade, reconhecer as faltas que fizemos, perdoar-se e pedir desculpas sinceramente desata os nós que damos entre nós mesmos e as outras pessoas. Depois de desatada, a corda que separava, entra em linha reta e torna mais próximos e humanos os polos que se distanciavam por divergências insignificantes.

Somos diferentes, porém não deixamos de ter emoções, sentimentos, mesmo que o ambiente seja de trabalho, seja social, nos coloque como máquinas abarrotadas de tarefas.

Somos mais próximos do que imaginamos e o que me deixa confiante nesse pensamento é o fato de que nossa história é um risco traçado no livro que conta a História dos seres humanos e que o risco um dia será apagado pelo tempo.

O que medirá o que significamos serão as impressões que o lápis dá (as atitudes) às páginas (acontecimentos) e que ficarão impressas de maneira imperceptível ou em um relevo singular. Nosso legado serão as asas que permitimos a nós e aos outros voar. Às vezes, a missão será enxergar voos em territórios que antes pareciam inatingíveis. Outras, enfrentaremos grandes tempestades e quem sabe, seremos assolados pelo vírus da insegurança.

Neste momento, eu lembro dos pequenos riscos que venho dado, alguns apagados por mim mesma, na busca incessante por uma perfeição inexistente. Vejo que perdi bastante com isso e enxergo agora claramente a beleza estética do conjunto.

Erros e acertos, somos humanos e temos uma missão. Ser educador é reconhecer medos, olhar para o horizonte, ver asas em quem nem cogitou que poderia voar. A nossa mente é uma maravilhosa construtora de mundos, as palavras que destroem, podem reerguer, dar novo ares e fazer-nos novos de novo. Olho para o espelho e vejo que fui muito ressequida e antiga em noções e que meio morta fui levando a vida, na irrefreada procura por méritos, necessidade de reconhecimento.

E quanto a reconhecer-se como sujeito-ator da própria existência?

Em pleno voo, dentro do avião, entre tantas viagens e compromissos, tenho insights motivadores, que me fazem rever o caminho trilhado e o que vem se descortinando a minha frente.

Visualizo pressão e opressão, professores pela exigência e disputa acadêmica, sendo premiados por quantidade, sem qualidade, cansados, doentes, adoecendo também os alunos, na lógica do mercado, em que ter ultrapassou o ser e nos tornamos fortes oradores e debatedores do conhecimento intelectual, porém, frágeis espectadores da vida.

Com pouco mais de um ano lecionando na universidade, escuto o sistema educacional adoecido e no espelho, uma professora que se revisa, para não se enquadrar nos moldes. Modelos do ambiente acadêmico que em vozes veladas apregoam assédios morais, ataques a humanidade de quem devia estar mostrando os céus pela frente dos jovens, voando com eles na infinitude de ser e de realizar-se como ser humano. Recordo-me da filosofia grega e das ideias que envolvem o 'daemon', nosso talento de ser atuando na existência, ser risco significativo nas páginas que traçaremos durante nossa breve estadia nesse mundo.

Recebemos dádivas individuais que crescem e afloram no diálogo. Que lugar melhor, senão na educação, para a “multiplicação dos pães”? Porque muitos de nós, professores, esquecemos de ser educadores e nos regojizamos quando trancafiamos a mente de nossos alunos e damos mais atenção aos que reproduzem os conceitos, as epistemologias, o que colocamos como indispensável nos livros e não também nas práticas, nas vivências cotidianas?

A responsabilidade aumenta no âmbito das universidades, principalmente quando pensamos nos cursos de formação de educadores. Que didática é essa que fica no palavratório dos autores e não toma corpo na vida de quem exerce a docência?

Questiono saberes e fazeres, desconectados. Questiono a relação entre os sujeitos pedagógicos que ao invés da interação e da construção dialógica do conhecimento se reflete como reprodutora de modelos. Questiono a mim mesma e aos motivos que me levaram até aqui. Os ideais e e ideias, 'pedras no caminho', entre escolas públicas, particulares e universidade. Um pergunta me aconselha: tipo de legado irei deixar?

O avião está descendo, logo estou chegando em casa, peço licença pra dialogar, perdoe o mal jeito, vou atrás de desatar o nó, nesse ponto, que eu sei que juntos, todos poderemos voar.


Hábraços

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Confiança

Ahhhhhhhhhhhhhh
Confiar e ter fé que tudo vai dar certo, tem melhor remédio pros problemas não!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O que é a verdade no ensino de arte?

Hoje em dia a coisa mais difícil é dizer qual e o que é a verdade...
Sempre há outro olhar, que nem sempre você concorda e o que devemos aceitar? Na prática, aprendi a ser sincera e dizer sempre o que penso, mas e o convencimento que o seu discurso é um discurso factível?
Este é um aprendizado árduo. No ensino, principalmente, porque os sujeitos e saberes às vezes parecem estar dissociados de realizades de aprendizagem coerentes. E também porque há sujeitos pedagógicos que nem sempre concordam em métodos, epistmologias, didáticas, como mediar tudo isso?
Ser arte/educador é ser mediador de mundos que a imagem e a arte expressam, e ser mediador de seres que fazem estes mundos significar.
Eu tenho muita confiança na paixão que movem quem tem vocação, porque acredito na aptidão de ser arte/educador como vocação.
Não é qualquer um formado em qualquer área que é arte/educador, qualquer um pode ser médico?
E porque há tantas pessoas sem formação em graduação e pós e sem  experiência em ensino de arte lecionando nas graduações e pior, nas licenciaturas em arte???
Alguém sabe me dizer isto: Onde estão as lutas da FAEB e de todo um rol de teóricos e  intelectuais que batalharam pelo espaço da arte como conhecimento nas escolas? Cadê os resultados dos cursos de arte que existem no país desde a Academia Francesa? Onde estão estas pessoas formadas na área e porque elas não estão dando aulas nas universidades?
Porque há uma "invasão" nas universidades brasileiras de pessoas não formadas e/ou sem experiência em ensino de arte nos cusrso de graduação da área???
É algo muito sério a se pensar para o futuro e urgentemente.
A verdade para mim é que como é uma área que demanda muito estudos e especializações, talvez o pessoal de outras áreas viu que a concorrência em arte seria menor em concursos para trabalhar em universidades no país, dai o oportunismo didático, não vejo outro nome pra isso. Por favor, não venham me dizer que em Letras, por exemplo, aceitem passar alguém formado em História, por exemplo, duvido muitoooo.

Em tempo: Para ter acesso aos Anais do CONFAEB 2010, clique na imagem abaixo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sede de ser

O querer soa como estardalho no dia que se amorna, que vai ficando frio. Eu quero moidamente, por mais tempo que o comum, pois de senso comum estamos atados e cheios. Quero dormente a vez que se preenhe de sentidos, quero como o sol , iluminando e aquecendo, quero reverberando, quero soante a cadência a ressignificância. Que mar a marolar, mareia querente a brisa dessa questão, sou então vária e modernamente contemporânea, quero perto bem perto a tua boca tua face queimando e ardendo como quem quer e quem saceia a sede de ser.
Hoje ouvi alguém me dizendo que a melhor resposta da vida seria se saciar a sede que persegue nosso querer.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Voz

Veja vento viaja horas
atento vai reverberando na mente
velas vozes vias
voltas rodovias
por onde vi
por onde andei
vale veracidades
virtuosas volúpias
das veias grossas
atravessada
Bate bem a porta
dorme dorme a hora
continua caminhando
deixa de dizer
dá a mão a torcer
caleja fronte doses
vela vai
vertendo contas
parte por onde
andas há desmontes
onde o arrepio se esconde
Cai bem ai,
deixo espaço aberto
pra você também sentir
Volta volátil voz.

Amadurecendo

Sai o dia, chega a noite por onde mora o assobio,
 foi que eu vi aquele alento,
como quando bate as horas, desatento,
separa em códigos
e miragens os momentos.
Eu ouvi de longe a cotovia
chamando soturna
perto do meu abrigo
onde declamo minha voz muda
encontro imagens em desvios
sou perpassada por ares sem muros.
Hoje eu vi de repente
olhar os olhos de profundo
ter de dizer o motivo
do motivo que me fez ver mundos
dor maior é a dor doida
de quem se fez em pele garrida
e ficou em redoma sentida
que quando chocou
o mundo mudou
e então teve de se fazer em sustos.
Dessa cicatriz sei que não me curo,
ficará ali
bem no pilar do muro
dizendo não esqueça nunca
Certa de que ainda haverá enganos
desenganos por se mirar
por não conhecer
se conhecerá dores e sentidos
que a vida trará
olhar bem defronte
sem medos nem desvelos
desafio maior não há.
Quero então nesse pedaço de tempo
em que a noite madruga
e o dia ainda não se gesta
que traz no entremeio a antiga palavra
amadurece
amadurecendo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Coisas do Discurso

Cá estava eu, novamente em pleno aeroporto, sentada olhando emails, quando resolvo parar  por um instante e jogar palavras cruzadas, meu passatempo antigo que voltei a ter.
Pois então, escuto uma mulher gritar.
Estava ela de vestido vermelho vivo, tecido semelhante ao linho e havaianas brancas no pés, cabelo curto, loira.
Alto berrava palavrões sobre o aeroporto, daí falava em Deus, fim do mundo, um monte de informação ao mesmo tempo.
Tal foi meu espanto, que me levantei para prestar atenção ao que ela dizia e ao seu happening/performance acidental.
 Não deu muito tempo, as guardas que ficam fiscalizando banheiros, saídas, hall de alimentação a  levaram. A mulher continuou gritando.
Lembrei-me mais uma vez de nosso querido Foucault e foucalteei e minha mente todo o discurso de saber e poder incutidos no fato.
Um surto psicótico de alguém que aparentemente estava bem,quem sabe... lembrei que a mesma mulher passou por mim na entrada, sentou próximo na cafeteria e tomou tranquilamente seu café.
Será mesmo que não foi alguma ação/intervenção artística?
Nós acostumados a estes tempos hipermodernos, que havemos de pensar quando nos deparamos com tal ação?
Qual o objetivo da mulher de vermelho?
Dama de vermelho em sua visualidade me fazendo refletir sobre os discursos que envolvem sua imagem montada e agora transfigurada em associações sobre as outras imagens de mulheres em vermelho do cinema, da tevê, da propaganda, da arte...o que compõe esta noção travestida de desejo/sexo/aparência/atenção que a imagem traduz em seus contextos?
O  que a fez tomar atitude de berrar sobre o fim do mundo, o arrependimento, será uma mensageira?
Só Deus sabe, eu fico por aqui me indagando se talvez não foi uma "visagi" como diria meu avô caso tivesse visto tal coisa.
Coisas do discurso à parte,  volto às palavrinhas cruzadas... principal verbo de ligação = SER.
Sou então palavras a serem decifradas,
entrelinhas e vozes na multidão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010



Intervenção realizada à frente do SESC Petrolina, durante o Aldeia do Velho Chico 2010


Chora o Rio

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Reflexões sobre hoje...

Os momentos, percebemos eles só depois que passaram. Falo do perceber, sentir, refletir. Quando se dá uma aula com furor,  com amor latente no coração, depois se pensa como foi que as ideias se concatenaram na mente, de que forma se deu o discurso. Meu discurso não é o do poder, nem o da memória, muito menos o da glória. Discurso como quem dá um grito, expressa seu idealismo, suas concepções políticas sobre o ensino de arte. Jamais conseguiria dar uma aula, sem expressar o que penso sobre o que leio e me refiro aí ao que leio também visualmente. As pessoas e suas obras podem dizer muito, olhares e espelhos. Somos excelentes educadores quando nos tornamos espelhos para o outro se ver melhor. Somos péssimos quando mostramos um espelho quebrado, desgastado, mal cuidado. Este espelho se traduz naquele professor que não se atualiza, não lê, não troca, principalmente não dialoga. Dialogar é ser e se expressar é aprender junto.
Conhecimento trancafiado é alma sebosa que quer ser reconhecida só pelo nome e não pelo que é. Alma sebosa é aquele que vê apenas quantidade e não percebe a importância da qualidade no educar.
Ser arte/educador é desafio constante no mundo contemporâneo, é travar batalhas por uma coisa que muita gente transformou em outra: a Arte.
A arte que foi usada e ainda é como acessório, como frugalidade, como "abajur, apetrecho utilitário", como hobby, como vocação (e existe dom ou a habilidade técnica é algo que é estimulado e desenvolvido em determinado meio?).
Tanta gente já falou disso, tanta gente já pensou nisso e porque temos uma sociedade brasileira que desconhece ou ignora a Arte? Por que temos professores de arte que não sabem fazer um quadrado, um círculo, uma pessoa em forma de boneco? Por que temos professores de arte que sabem desenhar mas são alheios a outras questões que a Arte envolve? Por que temos professores de Arte que fingem que ensinam e deixam o "desenho livre" ou algo do gênero acontecer como atividade quase corriqueira nas aulas?
Resta pensar, resta-nos criticizar, resta-nos ler e reler e repensar Ana Mae e tantos outros essenciais que revolucionam nossa mente e nos fazem sonhar com uma arte/educação cada vez mais engajada, política, crítica, cultural, miti (multi,inter e trans)...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Do fogo

Estou bem próxima do fogo. Olho em introspecção, suas chamas, lembrando das idas e vindas que a vida me atravessou.
Ela não pára de ser, e não se consome, devo ser como a chama, preemência e afeto ao tempo, ao oxigenio que a vida dá.
São tantas as obrigações do cotidiano e não se deixar engolir pelas poeiras que o tempo traz pelo vento, cadenciado nas horas. Passa-passa e eu não tenho medo, envelhecer é já certo, o melhor remédio é abrir aquele sorriso que começa amarelo e se torna audível até chegar a gargalhada, grito rouco, eu gargalho então a todos aqueles olhos que me subjulgaram, eu simplesmente dou uma extrema gargalhada, sem motivo nenhum e ignoro.
Estou num momento de observação. Tem a minha pesquisa, tem os livros que devo ler, e os afazeres e o trabalho. Tem as tarefas cotidianas que parecem querer me engolir. Mas eu me faço cuspir de volta.
Quais então são as questões? Ver e ser. Não há tantos contrastes como parecemos encontrar.
Ser artista e ser professor.
Ser mulher e ser artista. Ser mulher, artista, professora e dona de casa.
Somos todos múltiplos.
Olho de novo para a chama da vela,  a brisa muda seus contorno, ela permanece, mesmo sinuosa.
É isso mesmo viver a vida: permanecer mesmo nas sinuosidades e dificuldades do dia.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Partes

Oito cinco
perto sinto
quando começa a ventar
teus olhos me ouvindo
comendo abrigos
sou peça luminosa a espiaçar
cores
sem dores
perto deste tempo
em que não nos escondemos
e ainda não é ontem
que eu vi um sorriso
e dei as costas
ao cinismo
sou então feita de tuas páginas
partes quebradas
partes que estão à mostra.

domingo, 27 de junho de 2010

Possibilidades Metodológicas do Ensino de Arte

Reflexão ...
Parte da 1ª turma do Curso de Licenciatura em Artes Visuais da UNIVASF com os professores, no dia da festa surpresa de níver que fizeram pra mim! Obrigada Senhor!

Teoria das Artes Visuais PPGAV UFPB/UFPE

Turma do 1º Mestrado em Artes Visuais com linha de concentração no Ensino de Artes Visuais. Prof. Sebastião Pedrosa, Idália, Ana Cláudia, Bete Gouveia, Carlinhos, Adriana, Getúlio, Marluce e Mafaldo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fundamentos do Ensino de Artes Visuais

MATERIAL DIDÁTICO DO MINI CURSO MINISTRADO NA SEMANA UNIVERSITÁRIA DE ARTES DISPONÍVEL NOS LINKS:

http://www.scribd.com/doc/32923474

http://www.scribd.com/doc/32923532

sexta-feira, 28 de maio de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

MOMENTOS A CONTAR

Momentos...


Está perto de um novo dia e eu vejo as horas passando, às vezes é tão rápido , outras nem tanto.

Quando o momento exato conta, enxergo expressão, contínuo encanto por entre as frestas que o dia dá, quando nos atemos a coisas além dos muros que a vida nos coloca. Ah, e então galgamos os obstáculos e temos ideia do que está do outro lado. A grama nem sempre é verde, mas ao menos não ficamos estagnados no olhar, corremos atrás de uma nova melodia de ser.

E bem , eu cidadã híbrida em uma contemporaneidade em polvorosa de conceitos, técnicas e metodologias me encontro trespassada entre dúvidas, dores e alegrias.

Procuro não deixar o caos atingir os ouvidos e invadir o corpo, e o corpo, esse invólucro descartável que filósofos destacaram como inutilizável peça onde a alma se prende. Leituras tantas e maior ainda se tornam as possibilidades e ser, eita é a maior dificuldade.

Como ser num momento fugaz, em que informação e discurso devem estar aliados a uma voz que sabe dialetizar a palavra e a teoria e proferir réplica, tréplicas sobre algo? Ser nesse momento não é importante, daí é o teórico em voga que responde por nossos lábios e então nos deleitamos no academicismo.

Sou meio desconfiada com preceitos estruturais. As estruturas não existem na teoria, temos as estruturas mentais que permeam nosso intelecto no intuito de dar-nos suficiente base para agir, criar, demonstrar e refletir sobre quem somos e sobre tudo à nossa volta. Na teoria, estruturas são paradigmas e bem já afirmam os velhos teóricos e os novos da atualidade, a perda dos paradigmas veio pós-modernidade.

No momento, faço anos e vejo o tempo como paranóia coletiva.

Estou me indagando se é mesmo necessário se ater a tudo, se não podemos escolher particularidades, pois no detalhe, na delicadeza, na entrelinha está a arte, a parte que talvez nos falte, quando o discurso se torna hábito e o hábito nos fecha em muros e os muros são tão altos que não sabemos mais quem somos e pra quê viemos ao mundo.

Já me questionei se é divertido a teoria. Divertido talvez não, mas ela nos ajuda a refletir sobre coisas que nos parecem importantes. Para mim importante é agora o dia que ainda não chegou e o dia que está dormindo nessa noite sonolenta.

O momento é um toque de palavras que ecoam como um sussuro na mente, contando coisas que guardo no subconsciente e exalo minutos antes de dormir, é quando deságuo a cor das horas que me encharcam, tomam conta do meu dia. E o dia é contado assim a conta-gotas, pinga, pingando deveres e afazeres. Sou contada por questões que mudam, aparentemente, de acordo com discursos, hierarquias e necessidades.

Programas, impossível, planejar o óbvio, essencial, os desacertos acontecem e o estresse básico de ser em constante transformação, de ler e reler e notar que nunca se tem certeza de nada, que talvez o que se lê hoje amanhã não terá validade é uma constante.

E desconfio que agora eu esteja confabulando, pode ser.

Escrever, necessidade mais eterna que o respirar, queria poder estar nas ondas que sempre trocam em diálogos com a areia, tocar a tua pele de enlance, em ritmo cadente te contar que nos encontramos, nos parecemos, somos todos seres humanos e todas palavras só tem sentido no momento se uma coisa existe:
o sentimento.

Muito certo estava quem disse que razão sem sensibilidade não é razão, é logicidade.

Segundo a lógica talvez isto seja mais um devaneio, segundo a razão é um contar, de acordo com a sensibilidade se chama diálogo.

Está chegando amanhã, depois te conto do momento em que eu fizer mais anos, se valeu a pena se deixar contar ou se foi melhor contar as contas que as gotas da vida me revelará.

sábado, 27 de março de 2010

Uma

Reconheço a resposta. O trevo de quatro folhas em TNT vermelho encontrado, fatos e ações acontecidas.
Manhã doce. Sou uma.

domingo, 21 de março de 2010

Se as horas

Percorro o instante em que sentei naquela praia semideserta e olhei densamente para o mar que quebrava suas ondas com o desvelo dos amantes a se tocarem sobre a areia fina e avermelhada.
Estive por longos momentos ora revendo todos os acontecimentos, ora com o olhar perdido entre as marolas e seus sons relaxantes.
Faz um certo tempo que não enxergava o mar.
Tantos anos, tantas palavras, tantas pessoas e pouco tempo. O tempo diagnosticado, tomado, calculado, conta-gotas contado.
Andei ainda alguns quilômetros enquanto o sol se punha sobre a areia molhada.
Eu pregaria para os cegos, surdos, toda a vontade que está aqui tão viva como no dia que a descobri.
Foi assim: ardia um forte desejo. Contar coisas novas, desvendar horizontes e renovar ares, ser transformação em ação para outros.
E a chama nunca se apaga, lá está ela queimando pelo diálogo, pela troca entre mim e meus alunos, mim e meus mestres, mim e a vida.
Consigo hoje controlar a ansiedade com a certeza plena de que dias virão de alegria e tristeza, mas este fogo que arde sempre, este amor pela educação não falecerá.
Quanto mais pesquiso, leio e estudo, maior se torna o desejo pela mudança, quebra, renovação.
Amanhã é um dia de respostas, eu me calo em silencio e vou organizando as coisas, a casa, colocando detalhes que eu nem lembrava que existiam, colecionando momentos marcantes.
E nisso me sinto feliz, plenamente.
Agradeço então por ter conseguido uma parte do que sempre quis.