quarta-feira, 28 de agosto de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
O Desenho
Foto: aula do professor de Desenho da Figura Humana - Licenciatura em Artes Visuais - Universidade do Porto, Portugal
Penso o desenho não apenas como forma, representação artística ou enquadramento do olhar.
O desenho designa.
A designação é a ação do desenho relida e configurada como premissa.
Um currículo designa a partir de uma busca a responder uma necessidade formativa.
O desígnio ocorre quando o currículo é vivenciado e relido no cotidiano.
Os desígnios do desenho no intermédium (entre-pontes e in-between) atravessam práticas artístico/educativas na minha visão como professora/artista/pesquisadora.
O desenho e seu ensino, dois parâmetros para se pensar e se criar a partir do subjetivo, da linha sobre o papel às trocas intersubjetivas, no seu desenrolar em imagens mentais.
Realizo um desenho pensando na investigação.
Realizo a investigação pensando no desenho.
E o desenho também narra as dificuldades, os encontros, as possibilidades que vou encontrando no percurso investigativo.
Investigar não só baseada nas Artes Visuais, mas por meio de, é a perspectiva autoetnográfica (auto - eu + etno - observação de aulas + currículos e gráfica - desenhos e narrativas escritas) em uma a/r/tography...
A investigação em Educação Artística é assim meio pelo qual três realidades profissionais visualizo e cujo enfoque é o desenho, pensado e refletido desde meu olhar até uma análise da formação de professores de Artes Visuais.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Por uma urgência da Arte/Educação no Vale do São Francisco
Por que começar com um título pedindo urgência para arte/educação no Vale do São Francisco?
Primeiro, arte/educação significa o ensino de Arte numa perspectiva crítica, consciente do meio ambiente, de si, das narrativas colonizadoras, contextualizador e reflexivo.
Se as escolas (públicas e particulares) não promovem a arte/educação, ou sejam, utilizam o ensino de Arte como objeto para representação de datas comemorativas, trivialidades e frivolidades sem a responsabilidade cultural, social e histórica que a área exige, com certeza, uma cidade como Petrolina/PE e uma região, como o Vale do São Francisco perdem significativamente.
Eis abaixo um exemplo do que menciono sobre a falta de arte/educação em Petrolina.
O "Grupo Cópia" é um grupo de intervenção urbana criado em 2013 pela professora do Colegiado de Artes Visuais da Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF, Clarissa Campello e tem como participantes alunos e professores do Curso de Licenciatura em Artes Visuais da instituição, assim como artistas da região.
Este grupo, como o próprio nome diz, realiza releituras de obras já existentes, também em intervenção, procurando discutir os rumos das cidades de Juazeiro/BA e Petrolina/PE, principalmente no que tange à relação das pessoas com os espaços e o patrimônio. Ele tem realizado intervenções em espaços públicos como um chafariz (defronte a Catedral de Petrolina) e uma praça.
Grupo que participou da intervenção (Foto: Facebook)
A intervenção "Um lugar ao sol", realizada na praça do Coliseu, no sábado 10 de agosto (fotos), teve uma duração mais efêmera do que a proposta indicava...
Foto do local com a obra exposta (Foto: Facebook)
Ela não foi destruída pelo sol, nem pela chuva, nem por um raio ou qualquer outro fenômeno meteorológico.
O seu discurso e a sua estrutura foi desmontada, desconstruída, pelas pessoas, que roubaram, tomaram os guarda-chuvas, até os cabos de aço que os sustentavam.
Remeto a discurso desconstruído, porque os guarda-chuvas, na região do Vale do São Francisco tem uma outra função, eles guardam as pessoas do intenso sol irradiado. É comum ver, principalmente, mulheres, utilizando esse objeto no cotidiano das ruas.
Como Petrolina/PE e Juazeiro/BA tem assumido uma política de destruição das poucas árvores nas ruas, praças e ambientes públicos e comerciais, seja podando demasiadamente, ou cortando, as duas cidades, tem sofrido mais ainda com o insuportável calor.
A obra, além de guarda-chuvas de uma única cor ou tom, possuía guarda-chuvas coloridos, o que visualmente e simbolicamente poderia remeter também à sombra que uma política para o respeito e a valorização da diversidade cultural, ambiental e sexual da região poderia proporcionar, no que tange ao bem-estar, a ampliação do olhar e a uma arte/educação efetiva da população.
Foto do local com a obra exposta, com o que sobrou em 13 de agosto de 2013 (Foto: Facebook)
Pois bem, hoje, em pleno 13 de agosto de 2013, um dia de grande desgosto, como é conhecido na história do Brasil, temos à frente o fim da obra "um lugar ao sol", o fim físico, mas não intersubjetivo.
O desenho do trabalho desde o seu pensamento, à montagem e à interação com o público possibilitou e possibilita diversas e múltiplas leituras e releituras, bem como nas suas designações teve sua função apresentada e ressignificada.
Eu, como professora da UNIVASF e colega de Clarissa, sei do intenso trabalho que ao longo destes 04 anos de Licenciatura em Artes Visuais temos colaborado, e o quanto ainda precisamos indicar, principalmente aos poderes públicos sobre a criação efetiva de políticas públicas (e também particulares) para a promoção e consolidação da arte/educação na região.
Deixo meu protesto neste texto com o fim físico da obra e sugiro a sua continuidade intersubjetiva, agonística e crítico/reflexiva:
- Aos professores que utilizem em sala de aula, numa ampla discussão este trabalho artístico/educativo (com referências e releituras sobre o título da obra, sobre filmes, músicas, vídeos, sobre o objeto, etc).
- Que as pessoas discutam em suas casas...
- E que em todas as discussões possam permear noções sobre o patrimônio cultural, o meio ambiente e a arte, pensando em como estamos carentes dessa compreensão mais ampla, mais intercultural, mais diversa, mais dialética em nossas vidas e no Vale do São Francisco.
Enfim, deixo aqui um trecho da música "Lugar ao Sol", de Charlie Brown Jr. , para reflexão...
"Que bom viver, como é bom sonhar
E o que ficou pra trás passou e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido
Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta responsa
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir
Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol..."
Flávia Maria de Brito Pedrosa Vasconcelos
Colegiado de Artes Visuais - UNIVASF
Doutoranda em Educação Artística - Universidade do Porto, Portugal
+ Como citar este trabalho:
VASCONCELOS, F. M. B. P. Por uma urgência da Arte/Educação no Vale do São Francisco. Narrativas de Professora/Artísta/Pesquisadora. Disponível em: <http://www.flapedrosa.blogspot.com.br/2013_08_01_archive.html>. Acesso em: dia/mê/ano.
Outros sites:
GazzetadeNotícias
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Sobre correntes e pontes
Hoje me perguntaram de que corrente eu era...
E eu respondi: ué, e precisa estar em uma corrente?
A pessoa respondeu: sim, senão não sobrevive..
Eu fiquei em silêncio a refletir...
Com certeza não sou de uma corrente colonialista nem neocolonialista...
não sou estruturalista...
não sou acrítica...
não sou laissez-faire nem tout faire...
não defendo apenas um ponto de vista...defendo
as múltiplas perspectivas
e as anti-perspectivas...
sou daquelas que desconfia ao mesmo tempo que verifica,
observa o que é dito como verdade
e busco as minhas veracidades no caminho.
Não sou do meio-termo, mas sou contra termos absolutos
contra quadrilhas do saber
contra argumentos sólidos
contra bases solidificadas
sou, no melhor dizer, busco ser "vanguarda"
e tudo o que pode vir que vá além e releia
não sou contra o passado nem contra o futuro,
mas meus pés estão no presente e o presente
precisa de quebras
além das correntes
que levam as águas dos rios pra algum lugar...
precisa de pontes...
sou a favor delas, porque as pontes levam de um lado para outro da questão
e dialogam possibilidades...
e dialogam possibilidades...
(Juazeiro/BA, 12.06.2013).
terça-feira, 4 de junho de 2013
AVISOS
- 06 de junho - PEAV 3 e FEAV - (Foto), cada estudante chega no seu horário de aula e adentra a discussão. Tragam materiais solicitados, teremos práticas artístico/educativas.
- 08 de junho - aula
com exibição do filme "Quem se importa?", a partir das
13h - tragam suas respectivas ou comunitárias pipocas, caso desejem.
Debate sobre:
Ensino de Artes Visuais
e intervenção no Meio ambiente. Para todos os que vierem a esta
aula-debate será acrescido certificado de participação pelo
LAPDAVIS/MITA - CnPQ.
obs: aula aberta à
comunidade e interessados/as.
- 11 a 13 de junho -
aulas nos horários regulares do Sig@ - tragam sempre os materiais.
PEAV 3 LINKS DOS TEXTOS:
TEXTO 2 (até p. 62)
Um grande abraço a
todas/as e até mais!
Materiais a trazer - FEAV E PEAV 3
Lista de materiais para trazer todas as aulas:
Caderno A5, sem pauta/linhas,
lápis HB, apontador,
borracha,
lápis de cor 36 cores
- ponta fina, se possível inquebrável - dica: Staedtler,
canetas azul,preta e
vermelha - ponta fina (risco)
tesoura, cola pequena,
revistas velhas/usadas
(2 por estudante).
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Exposição Ver@cidades na UNIVASF potencializa o diálogo internacional em Arte e Educação
O trabalho de diálogo internacional do Colegiado de Artes Visuais da UNIVASF, pontua a universidade como referência num conjunto de investigadores de diversos países, por meio da exposição Ver@cidades, a qual participa da II Semana Internacional de Educação Artística da UNESCO em um projeto colaborativo do Laboratório de Produção Didática em Artes Visuais - LAPDAVIS e Grupo de Pesquisa Multi, Inter e Trans - MITA/CnPQ por meio dos professores/artistas/ pesquisadores Flávia Pedrosa Vasconcelos e Ricardo Guimarães, com a Universidad Autonoma de Madrid - UAM, Espanha.
Quem não foi ainda ao Hall da reitoria da UNIVASF, está convidado a perceber olhares sobre diversas cidades e refletir sobre como juntos podemos ter um impacto cultural, artístico, educacional e político desde o Vale do São Francisco.
A exposição segue aberta até 29 de maio de 2013.
Em anexo, cartazes da exposição e mapa que mostra todas as cidades envolvidas no projeto e como nós estamos pontuados num mar de diálogos internacionais.
Esta exposição foi promovida com apoio da Diretoria de Arte, Cultura e Ações Comunitárias - DACC.
Vídeo:AQUI
Esta exposição foi promovida com apoio da Diretoria de Arte, Cultura e Ações Comunitárias - DACC.
Vídeo:AQUI
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Univasf abre exposição que revela novos olhares do cotidiano de cidades
| Univasf abre exposição que revela novos
olhares do cotidiano de cidades 25-04-2013 12:00:53 |
A mostra Ver@cidades foi aberta nesta terça-feira (23) e vai
até o dia 29 de maio
Entre o céu, placas, carros e monumentos, a exposição itinerante “Ver@cidades” mostra através da fotografia e pintura, emoções e perspectivas do cotidiano das cidades, sob o olhar de 24 artistas nacionais e internacionais. O público poderá descobrir novos olhares sobre a região, bem como outros países. A mostra pode ser conferida gratuitamente, até o dia 29 de maio, no hall do Prédio Administrativo da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Campus Sede, em Petrolina (PE). Estão expostas 24 imagens, que retratam o colorido das cidades encontrado nas roupas e nas fachadas das casas, capturado pelas lentes dos artistas. De acordo com o organizador da exposição, o professor do colegiado de Artes Visuais, Ricardo Guimarães, a mostra pretende lançar diferentes perspectivas sobre as cidades do Brasil, Espanha, Argentina e Itália. “Os artistas trazem suas distintas experiências para o mesmo tema: ‘ver a cidade’”, completou o professor. A exposição “Ver@cidades” é coordenada pela professora do colegiado de Artes Visuais, Flavia Pedrosa e conta com o apoio da Diretoria de Arte, Cultura e Ações Comunitárias (DACC), vinculada à Pró-reitoria de Extensão (Proex). A mostra faz parte do “Projeto de Exposições EnREDadas”, coordenado pela professora da Universidad Autonoma de Madrid, Ángeles Saura, e integra as atividades da Semana Internacional de Educação Artística da Unesco, que acontece de 21 a 27 de maio, em diversos países. Karine Nascimento |
Por: Assessoria de Comunicação Repercussões: BLOGFOLHA BlogdoFarnésio |
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Ver@cidades - Exposição Internacional de Artes Visuais na UNIVASF
Obras, artistas e lugares:
Montserrat Ansótegui Rodríguez, La ciudad dibujada,Logroño, la Rioja, Espanha, 2012.
Alfonso
Infantes Delgado, Les
Halles, Jaén,
Espanha, 2010
Ana
Marco Irueste,Cajas
de cristal, Madrid,
Espanha, 2012
Ana
Hernández Revuelta,De
Madrid al cielo, Madrid,
Espanha, 2013
Ángeles
Saura Pérez, Madrid, Madrid,
Espanha, 2013
Arancha
Ayuso, Madrid, Madrid,
Espanha, 2013
Carlos
Cuenllas, MUSiC, León,
Espanha, 2013
Carmen
Molina Mercado, Lugar
de encuentro, Jaén,
Espanha, 2012
Celia
Ferrer Signes, Espejismo-Ciudad, Madrid,
Espanha, 2012.
Euriclésio
Sodré, E
Deus disse: “faça-se a luz!”,Senhor
do Bonfim, BA, Brasil, 2012.
Hamilton
Freire Coelho, Sem
Título, João
Pessoa, PB, Brasil, 2011
Igor
Borozan, Vertigo, Terni,
Itália, 2005
Inmaculada
del Rosal, Una
ciudad es un poema,Madrid,
Espanha, 2013
José
Maria Díaz Ligüeri Ariño, Puesta
de Sol Cádiz, Sevilla,
Espanha, 2013
Karla
Lima, Sem
Título,Juazeiro,
BA, Brasil, 2012
Mamen
Salgado, Otra
mirada, Segovia,
Espanha, 2013
Marcus
Ramos, Sem
Título, Petrolina, PE, Brasil, 2012
Martha
Chiarlo, Tiempo
Detenido, Córdoba,
Argentina, 2009
Maurício
Alfaya, Sem Título, Petrolina, PE, Brasil, 2012
Ricardo
Guimarães, Sem
título, Salvador,
BA, Brasil, 2013
Sérgio
Motta Lopes, Sigue
seguro, Capitán!, Santa
Maria de Fé, Paraguai, 2013
Susan
Nash, Square
with Remote Control, Madrid,
Espanha, 2012
quinta-feira, 11 de abril de 2013
De tom a tom
No escuro-claro
no claro em escuros
sinto tons de cinza anuviando céus
claras cores
quietas imiscuem
desvanecendo
encontrando-se
claros cortes
no dia-muro
murando montes
derrubando-se
Claros escuros
escuros claros
cores avivando-se
pela forte toada da hora
irradiando.
sábado, 16 de março de 2013
Processos Criativos - Projeto Ecodesign e Artes Visuais
Um sábado à tarde, materiais da universidade que seriam descartados no lixo, um laboratório de Artes Visuais (Laboratório de Produção Didática em Artes Visuais - LAPDAVIS) sem estantes, armários, para os tantos livros que conseguimos por doação e o que fazer?
Pois bem, me uni a alguns discentes da Licenciatura em Artes Visuais e desenvolvemos o projeto Ecodesign e Artes Visuais: indústria criativa na produção de mobiliário sustentável na universidade, o qual foi aprovado via Edital da Pró-reitoria de Extensão - PROEX da UNIVASF.
Este projeto é cadastrado como projeto integrante do Grupo de Pesquisa MITA - CNPQ - UNIVASF via LAPDAVIS e está, no momento, buscando apoio de empresas para doação de materiais, como tintas, luvas e máscaras.
Hoje, começamos do zero, vendo o que poderíamos fazer com o material doado.
Já realizamos o projeto e semana que vem teremos, quem sabe o resultado final de nosso primeiro produto mobiliário para o LAPDAVIS! :)
Iniciamos assim uma nova fase na UNIVASF, por meio da produção artística unindo a indústria criativa ao ecodesign.
Da esquerda para direita: Discente Voluntário Pesquisador (PIBEX) Renan Alencar, Discente Bolsista Pesquisador (PIBIC) Paulo Vinícius, DiscenteVoluntário Pesquisador (PIBEX) Jamisson Félix, Discente Voluntária Pesquisadora (PIBEX) Kathianne Souza e Discente Bolsista Pesquisadora (PIBEX) Ana Emídia.
Da esquerda p/ direita: Discente Voluntário Pesquisador (PIBEX) Danilson Vasconcelos e Jamisson Félix
Ana Emídia e Paulo Vinícius planejando via Blender
O nosso "baú dos tesouros" - projeto
Danilson e Jamisson aplainando as tábuas
Repercussões:
JornalGazzeta (impresso e online)
quinta-feira, 14 de março de 2013
Um tripé manco
Há um discurso em moda pronunciado amiúde senão por todos, pelo menos pela grande maioria dos reitores das universidades e institutos federais pelo país afora: "Nunca tivemos tanto dinheiro". Quem é da comunidade acadêmica certamente já ouviu esse pronunciamento.
No entanto, essa afirmativa soa, no mínimo, contraditória diante dos grandes gargalos estruturais que ainda afligem tanto professores, servidores e alunos do consolidado Magistério Superior; como do emergente Ensino Básico, Técnico e Tecnológico.
É fato que nos últimos dez anos os investimentos do Governo Federal destinados à educação aumentaram expressivamente. Além dos dados oficiais, merece destaque o levantamento feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado no final de 2012, onde mostra que o Brasil foi quem mais ampliou investimentos em educação entre 2000 e 2009, em um grupo de 29 países avaliados. O estudo ainda ressalta que o país está "gradualmente se aproximando" dos integrantes do chamado G20 (grupo das nações mais ricas do mundo).
Nada mau para uma nação cuja educação foi secularmente negligenciada por suas elites. Vencer esse atraso histórico certamente não será possível da noite para o dia e tampouco obra de uma geração. Por isso mesmo, é no mínimo alentador o fato de a Câmara dos Deputados ter aprovado o Plano Nacional de Educação que prevê a aplicação, em até 10 anos, de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação.
Mas então onde está a incoerência deste discurso? Atrever-me-ia a responder, sem medo de errar: na gestão destes vultosos recursos.
Formamos nas últimas décadas um número expressivo de professores- pesquisadores de qualidade, fomentados por agências estrategicamente criadas para esta finalidade; como a Capes, CNPq e Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. Mas somos capengas quando o assunto é professor-gestor.
O problema é ainda maior quando se tem em conta que a universidade brasileira é vítima de uma lacuna de oito anos em que foi irresponsavelmente impedida de contratar professores e técnicos administrativos entre 1994 e 2002. Um hiato que tem reflexo até hoje no quadro funcional das instituições que não puderam promover uma transição harmoniosa entre aqueles profissionais mais experientes que saíram e aqueles mais jovens que entraram posteriormente. Perdeu-se, nessa janela, uma grande oportunidade de transferência de conhecimentos entre os pares, sobretudo a prática de gestão.
Mais grave ainda é a situação das centenas de novos campus de Institutos Federais criados nos últimos anos, onde em sua grande maioria o quadro docente é composto por jovens mestres e doutores que além da complexa missão do ensino, da pesquisa e da extensão, ainda são demandados para cargos de administração, sem terem o mínimo de experiência em gestão educacional que a função exige. Literalmente, atuam no sacrifício.
O fato é que entre o recurso disponibilizado e a compra do reagente para o laboratório, por exemplo, há um caminho burocrático (e necessário, diga-se de passagem) pouco afeito à grande maioria dos professores que muitas vezes são ótimos educadores, pesquisadores e extensionistas, mas péssimos gestores.
Por isso mesmo, a máxima de que a universidade se assenta em um tripé imaginário, formado pelo ensino, pesquisa e extensão, precisa incorporar urgentemente outro elemento: a gestão. Sem uma gestão de qualidade, é quase impossível se promover ensino, pesquisa e extensão em níveis superiores.
É imperioso reconhecer o grande esforço governamental diante de dois desafios estratégicos na área educacional brasileira que são a qualificação dos professores que atuam nas escolas de educação básica e a capacitação do quadro funcional atuante na gestão do Estado Brasileiro. Para isso o Ministério da Educação lançou o Plano Nacional de Formação de Professores e o Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP). Ocorre que o PNAP engloba um curso de bacharelado e três especializações: Gestão em Saúde, Gestão Pública Municipal e Gestão Pública. Não há nada específico para a área educacional.
Mais que isso, diante da nova realidade educacional brasileira, muito mais complexa e dinâmica que dez anos atrás, exige-se a adoção de uma política nacional de capacitação e estímulo à gestão universitária e escolar. É fundamental que se valorize mais essa atividade, desde uma maior pontuação do currículo acadêmico, mais e melhores gratificações e até mesmo a criação de uma agência específica voltada à formação de uma nova geração de gestores na área.
Caso contrário, mesmo com investimentos crescentes, correremos o isco de avançarmos aquém das nossas necessidades. Ou damos um grande salto adiante, ou patinaremos em cima deste tripé em meio ao déficit gritante de gestores minimamente capacitados.
Luciano Rezende Moreira é ex-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e professor pesquisador do Instituto Federal Fluminense.
Noticía retirada DAQUI.
No entanto, essa afirmativa soa, no mínimo, contraditória diante dos grandes gargalos estruturais que ainda afligem tanto professores, servidores e alunos do consolidado Magistério Superior; como do emergente Ensino Básico, Técnico e Tecnológico.
É fato que nos últimos dez anos os investimentos do Governo Federal destinados à educação aumentaram expressivamente. Além dos dados oficiais, merece destaque o levantamento feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado no final de 2012, onde mostra que o Brasil foi quem mais ampliou investimentos em educação entre 2000 e 2009, em um grupo de 29 países avaliados. O estudo ainda ressalta que o país está "gradualmente se aproximando" dos integrantes do chamado G20 (grupo das nações mais ricas do mundo).
Nada mau para uma nação cuja educação foi secularmente negligenciada por suas elites. Vencer esse atraso histórico certamente não será possível da noite para o dia e tampouco obra de uma geração. Por isso mesmo, é no mínimo alentador o fato de a Câmara dos Deputados ter aprovado o Plano Nacional de Educação que prevê a aplicação, em até 10 anos, de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação.
Mas então onde está a incoerência deste discurso? Atrever-me-ia a responder, sem medo de errar: na gestão destes vultosos recursos.
Formamos nas últimas décadas um número expressivo de professores- pesquisadores de qualidade, fomentados por agências estrategicamente criadas para esta finalidade; como a Capes, CNPq e Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. Mas somos capengas quando o assunto é professor-gestor.
O problema é ainda maior quando se tem em conta que a universidade brasileira é vítima de uma lacuna de oito anos em que foi irresponsavelmente impedida de contratar professores e técnicos administrativos entre 1994 e 2002. Um hiato que tem reflexo até hoje no quadro funcional das instituições que não puderam promover uma transição harmoniosa entre aqueles profissionais mais experientes que saíram e aqueles mais jovens que entraram posteriormente. Perdeu-se, nessa janela, uma grande oportunidade de transferência de conhecimentos entre os pares, sobretudo a prática de gestão.
Mais grave ainda é a situação das centenas de novos campus de Institutos Federais criados nos últimos anos, onde em sua grande maioria o quadro docente é composto por jovens mestres e doutores que além da complexa missão do ensino, da pesquisa e da extensão, ainda são demandados para cargos de administração, sem terem o mínimo de experiência em gestão educacional que a função exige. Literalmente, atuam no sacrifício.
O fato é que entre o recurso disponibilizado e a compra do reagente para o laboratório, por exemplo, há um caminho burocrático (e necessário, diga-se de passagem) pouco afeito à grande maioria dos professores que muitas vezes são ótimos educadores, pesquisadores e extensionistas, mas péssimos gestores.
Por isso mesmo, a máxima de que a universidade se assenta em um tripé imaginário, formado pelo ensino, pesquisa e extensão, precisa incorporar urgentemente outro elemento: a gestão. Sem uma gestão de qualidade, é quase impossível se promover ensino, pesquisa e extensão em níveis superiores.
É imperioso reconhecer o grande esforço governamental diante de dois desafios estratégicos na área educacional brasileira que são a qualificação dos professores que atuam nas escolas de educação básica e a capacitação do quadro funcional atuante na gestão do Estado Brasileiro. Para isso o Ministério da Educação lançou o Plano Nacional de Formação de Professores e o Programa Nacional de Formação em Administração Pública (PNAP). Ocorre que o PNAP engloba um curso de bacharelado e três especializações: Gestão em Saúde, Gestão Pública Municipal e Gestão Pública. Não há nada específico para a área educacional.
Mais que isso, diante da nova realidade educacional brasileira, muito mais complexa e dinâmica que dez anos atrás, exige-se a adoção de uma política nacional de capacitação e estímulo à gestão universitária e escolar. É fundamental que se valorize mais essa atividade, desde uma maior pontuação do currículo acadêmico, mais e melhores gratificações e até mesmo a criação de uma agência específica voltada à formação de uma nova geração de gestores na área.
Caso contrário, mesmo com investimentos crescentes, correremos o isco de avançarmos aquém das nossas necessidades. Ou damos um grande salto adiante, ou patinaremos em cima deste tripé em meio ao déficit gritante de gestores minimamente capacitados.
Luciano Rezende Moreira é ex-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e professor pesquisador do Instituto Federal Fluminense.
Noticía retirada DAQUI.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Sobre PREGUIÇA INTELECTUAL, CRIATIVIDADE e EMANCIPAÇÃO
Se você é emancipado no processo de ensino/aprendizagem, isso quer dizer que você sabe o valor do conhecimento e tem noção de que precisa eternamente desenvolver competências e habilidades, pois nenhum saber é acabado e tudo pode ser revisitado, reconstruído, revisto e refletido...
Aprende que o mestre que está ao seu lado neste processo, é falível, mas também tem muito a dialogar e deve ser respeitado...na contemporaneidade, temos estudantes educados desde casa a questionarem sem fundamentos, a lerem e não interpretarem, a terem a PIOR de todas as doenças mentais: a PREGUIÇA INTELECTUAL...
Há de se refletir numa sociedade do "bom consumidor" e de colonizações contínuas, ainda mais em face da virtualidade dos indivíduos, que escolhas, como estudante, você terá...
Eu sou mestre e sou estudante, pois não deixo de buscar acesso ao conhecimento e como ser humano, respeito os mestres que me ensinaram a inquietar-me e ir atrás de tudo, pensando que nada que vem fácil vale a pena e dando-me forças para seguir em voos maiores que a minha mente podia imaginar...
Pois é...eu matei a preguiça intelectual e dei asas à CRIATIVIDADE...
Pois com ela, conseguimos nos desdobrar, nos colocar em constante atividade de conhecer e ser reconhecido...pois é isto que o conhecimento nos faz, nos torna ESPELHOS e nos faz ver melhor por meio de outros ESPELHOS. Honestamente, espero que os estudantes que comigo compartilham a caminhada, não tenham PREGUIÇA INTELECTUAL e sejam CRIATIVOS e possam ser considerados EMANCIPADOS PELO CONHECIMENTO.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Disconnect to Connect
Disconecte para se conectar....uma mensagem simples, mas que muitos não compreendem...as novas tecnologias podem mais do que aproximar virtualmente, distanciar realmente as pessoas...
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